Um olhar fotográfico e jornalístico sobre a saúde mental
Atualizado: 28 de out. de 2025
O adoecimento mental configura-se como um fenômeno coletivo e estrutural, e não meramente individual. Diante de um cenário no qual a normalização e a limitada compreensão social das doenças mentais persistem, o fotojornalismo surge como uma ferramenta essencial para ampliar a visibilidade e promover a conscientização sobre o sofrimento psíquico.
A urgência de abordar o assunto está fundamentada em dados globais e sociais. Relatórios recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que mais de 1 bilhão de pessoas convivam atualmente com algum tipo de transtorno mental, e o suicídio permanece entre as três principais causas de morte entre jovens. Essa crise é exacerbada pelas dinâmicas da vida contemporânea, especialmente na sociedade do desempenho, descrita pelo filósofo Byung-Chul Han (2015). Nessa configuração, o indivíduo se torna refém do imperativo de rendimento e da necessidade constante de superação, praticando a autoexploração. O cansaço é, nesse contexto, o reflexo de uma cultura que transforma o viver em produção e o ser em projeto de performance.
Segundo Boris Kossoy, a fotografia é uma representação construída com valor indicial e simbólico, capaz de se tornar uma reflexão-crítica e traduzir, pela imagem, dimensões do real que a linguagem verbal muitas vezes não alcança. É neste ponto que o olhar fotográfico e jornalístico se alinham: combinando informação, emoção e testemunho que contribuem para formação de uma conscientização coletiva por meio de imagens sensíveis.
O fotolivro, nesse cenário, age como um dispositivo de narrativa e a imersão digital. Obras como de Sebastião Salgado (Trabalhadores, 1993) e de Claudia Andujar (Yanomami, 1998) são exemplos de como a fotografia autoral e documental pode construir uma narrativa estética e ética sobre a dignidade e a resistência humana.
